O rosto da nova liderança política da direita brasileira
Por Equipe de Redação do Contexto Político · 30 de outubro de 2026

Flávio Bolsonaro foi um grande acidente de percurso como opção dos setores mais conservadores da política brasileira. Ao longo da campanha, ficou evidente que o filho de Bolsonaro não reunia as condições para presidir o país, tampouco para liderar a oposição ao presidente reeleito, Luiz Inácio Lula da Silva. As trapalhadas nos Estados Unidos é apenas a ponta do iciberg. Aliás, é bom que se diga que setores importantes da direita brasileira externaram essa mesma opinião quando ele se lançou como opção. Neste momento, o mercado já havia "verificado" o nome do governador Tarcísio de Freitas como uma opção mais viável, consistente e, principalmente, consequente. Tarcísio chegou a esboçar uma plataforma de governança alicerçada no respeito aos Três Poderes, ancorada na Constituição Cidadã de 1988. Sua gestão como governador do maior estado brasileiro o credenciava junto ao mercado. Políticas públicas perfeitamente alinhadas aos interesse do capital, a exemplo da privatização de empresas como a Sabesp, a maior empresa de saneamento da América Latina, mesmo em se tratando de uma empresa estatal superavitária. Um colosso, na realidade. Melhor credencial junto ao mercado, impossível. Quando Bolsonaro indicou o nome do filho, Tarcísio recuou de imediato. Naquele momento o governador ainda mantinha uma dívida de gratidão com o capitão, responsável por sua ascensão na política. Gratidão não se expira, mas hoje o cenário político começa a mudar sensivelmente. O próprio bolsonarismo está dando evidências de um ocaso político. Lula eleito, Bolsonaro preso e herdeiros do bolsonarismo cada vez mais encrencados, como é o caso de Eduardo e Flávio Bolsonaro. Praticamente ninguém endossou as trapalhadas de Flávio nos Estados Unidos. Valdemar da Costa Neto, que preside o PL, também teceu considerações equidistantes da postura de Flávio Bolsonaro. Houve um momento em que tentaram filiar Tarcísio de Freitas ao PL, numa tentativa de "acomodá-lo" melhor. Não seria problema. Nos últimos dias, Tarcísio tem dados mais declarações, se posicionado sobre os grandes temas políticos nacionais, assumindo, de vez, a condição de maior liderança da direita hoje no país. Os conservadores vão tentar voltar à disputa eleitoral em 2030 e, em princípio, num projeto encampando pelo governador de São Paulo.


