O eleitor "imponderável" que elegeu Lula
Por Equipe de Redação do Contexto Político · 27 de outubro de 2026

Abro as redes sociais e encontro um monte de gente refazendo as contas da eleição do segundo turno, onde o eleitor "imponderável" reelegeu Lula para um quarto mandato. Se encontramos esta situação nas redes sociais, o que não dizer sobre os CEOS dos diversos institutos de pesquisas que publicaram seus resultados já no finalzinho do segundo turno, nenhum deles cravando o resultado que as urnas apresentaram? Nem as famosas margens de erro salvaram os institutos de pesquisas desta vez. Um dos mais criticados - talvez porque também mais respeitados - é o Datafolha, que chegou a apresentar um empate técnico de 50% a 50% entre Lula e Flávio num primeiro momento e, já no finalzinho do sábado, apresentar a dianteira do bolsonatista. Nós aqui não estamos demonizando os institutos de pesquisas. Faltou técnica, habilidade e "sensibilidade" para entender os movimentos, por vezes subterrâneos, do que ocorreu nessas eleições. Um feito histórico sob vários aspectos. Nunca um candidato que sai atrás do oponente no primeiro turno consegue superá-lo no segundo turno. Nunca um percentual de abstenções do primeiro turno é quebrado no segundo. Desta vez aconteceu. Lula virou no Sudeste, outro aspecto inusitado. Não teve mais votos do que Flávio Bolsonaro, mas votos suficientes para equilibrar o jogo com os 70% dos votos obtidos na região Nordeste, reduto tradicional do PT. Equilibrou o jogo em Minas, Rio e diminuiu a diferença em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, governado por um bolsonarista raiz, superando os votos dados a Fernando Haddad. Aconteceram fatos imponderáveis que os institutos não conseguiram captar a tempo. Três falas mereceram nossa atenção em meio a este turbilhão de informações e desinformações que, no final, produziram o regozijo cívico dos petistas e o choro mal resolvido dos bolsonaristas. Elegemos aqui o "choro mal resolvido" como essa narrativa medonha - típica dos bolsonaristas mais radicais - que não reconhecem o resultado do jogo, fazendo ilações descabidas. Vamos às falas. Além de ter montado uma tropa com mais de 10 milhões de soldados do Lula, convém prestar muita atenção na estratégia e nas ordens emitidas pelo general André Janones. Uma outra fala, esta dentro do escopo científico, é em referência a uma entrevista concedida pelo CEO do Quaest, o cientista político Felipe Nunes. Num momento de lucidez, o pesquisador ponderou que haveria sim uma condição onde Lula poderia superar o oponente, satisfeitas certas condições. Diminuição de votos brancos e nulos conjugado com uma diminuição drástica das abstenções. Esses fatores conjugados poderiam reverter a desvantagem de Lula nas pesquisas de intenção de voto. O próprio cientista político considerava, entretanto, improvável que isso viesse a ocorrer. Mas, como estamos falando sobre situações "imponderáveis", vale aqui mencionar uma observação do jornalista Renato Rovai, da revista Fórum, onde ele antevia a possibilidade de uma virada a partir das movimentações observadas nos locais de transportes coletivos, seja fluvial ou terrestre, concentrados nas regiões Norte e Nordeste. Acertou. Foi este eleitor "imponderável" que atendeu a um chamado cívico para evitar um retrocesso político no país. Esse eleitor falou para os companheiros, para as câmaras, declarou seu voto em Lula, mas manteve o silêncio para os institutos ou estes não quis ouvi-lo.


