Opinião

O fim da escala 6X1

Por Equipe de Redação do Contexto Político · 15 de outubro de 2026

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Ricardo Antunes\Crédito da Unicamp
Ricardo Antunes\Crédito da Unicamp

Houve um tempo em que publicamos uma série de matérias acerca das mudanças no mundo trabalho, um tema que gostávamos de pesquisar. No Brasil, uma das maiores referências neste assunto é o sociólogo Ricardo Antunes, decano da Unicamp. Conhecemos Ricardo Antunes desde o momento em que estudávamos partidos políticos, assunto sobre o qual o professor também produziu textos importantes. Sempre que alguém faz referência à escala 6X1 somos, inevitavelmente, remetidos a um episódio marcante, ocorrido numa fábrica de tecidos controlada por uma oligarquia industrial, localizada numa cidade da Região Metropolitana do Recife. Naquele rincão, por alguma razão, as mulheres sempre foram determinantes nos movimentos sindicais e reivindicativos de direitos, tornando-se hegemônicas na liderança de greves e paralizações. Há várias explicações para isso, nenhuma delas definitiva, como sugere o antropólogo José Sérgio Leite Lopes, que estudou a fundo a relação entre os operários locais e a oligarquia industrial controladora da indústria têxtil. Ali, os turnos de trabalho chegavam a 12 horas ininterruptas. Como o sistema da companhia controlava tudo na cidade-fábrica, havia roçados mantidos por ele, cujos produtos eram comercializados em armazéns e feiras, gerando novos padrões de dependência operária. As feiras eram realizadas num espaço específico da cidade, atraindo, inclusive, muita gente de Olinda e Recife. Um dos primeiros movimentos operários para quebrar esses padrões se deu através das mulheres, que passaram a reivindicar uma hora aos sábados para realizarem as suas feiras. Há vários estudos indicando a melhoria da qualidade de vida do trabalhador, sem prejuízo da produtividade, com a mudança da escala 6X1, derrubada ontem pelo Congresso. O mais são lamúrias do capital, sempre disposto a extrair o máximo da mais-valia da classe operária. Falar nesses termos parece que estamos reproduzindo clichês marxistas de tempos idos, mas, a rigor, as novas conformações do mundo do trabalho nos dão razão, segundo avaliações de estudos recentíssimos tratando deste assunto. Estamos felizes com a derrubada da escala 6X1, mas, a depender do andar da carruagem política, convém evitar que atores que apenas a instrumentalizaram para não se prejudicarem junto aos eleitores não assumam postos de comando que possam comprometer tal conquista.

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