Segurança Pública

O Brasil já é um narcoestado?

Por Equipe de Redação do Contexto Político · 30 de outubro de 2026

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Promotor Lincoln Gakiya
Promotor Lincoln Gakiya

É impressionante o aparato de segurança em torno do promotor público, Lincoln Gakiya, depois que ele passou a ser jurado de morte por determinar a prisão de liderança do PCC. Mais impressionante ainda é o montante de recursos que essa organização criminosa movimenta no país e no exterior. Somente no Brasil a estimativa chega a R$ 100 bilhões por ano. Outro dado aterrador é a infiltração dessas facções criminosas na estrutura do Estado, participando ativamente de licitações públicas, emprego de pessoas na gestão da máquina, cooptação de servidores públicos ligados à inteligência e segurança do Estado. Isso sem falar no domínio territorial de várias localidades no Brasil afora, como ocorre principalmente em estados como o Rio de Janeiro, Bahia, Ceará e, de forma ainda incipiente, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Gakiya pode ser convidado a assumir a nevrálgica área de segurança pública do Governo Lula 4. Ele já andou antecipando que, se for convidado, assume. É um excelente nome para o cargo. Mas, afinal, o Brasil já é um narcoestado? A notícia boa é que, de acordo com os critérios do especialista em PCC, ainda não. Mas caminhamos a passos largos neste sentido. Uma das interdições que se falava no passado dizia respeito às "instituições fortes", o que é tudo o que não temos hoje no país. Gakiya tem razão. Um dos gravíssimos problemas do país foi uma crescente degenerescência institucional, o que facilita, enormemente, a infiltração do crime organizado. Hoje eles estão entrando não apenas com CPF, mas com CNPJ, em empresas legalmente constituídas, quase sempre através de um conluio envolvendo agentes públicos e privados. Uma das portas de entrada são essas "terceirizações", principalmente na esfera da segurança privada, com a contratação de empresas de idoneidade duvidosa, que carrega em suas fileiras, como "assessores" ex-agentes públicos que foram expulsos e excluídos de sua condição de autênticos agentes de Estado. Na realidade, "milícias institucionalizadas" pelo aparelho de Estado. É o Estado dando uma forcinha para perder o controle da situação e tornar-se forte candidato à condição de narcoestado. Este foi um dos gravíssimos problemas do Governo Lula 3. Por algum motivo Lula preferiu fazer intervenções pontuais, quando estágio de aparelhamento das instituições já exigia intervenções mais substantivas. Não por acaso observa-se hoje policiais federais prestando serviços a banqueiros corruptos, fiscais da Receita envolvidos em desvios de recursos. Numa única operação, dezenas deles foram apanhados em irregularidades no Porto de Santos. Neste caso em particular, as conexões com o crime organizado ficaram evidenciadas. Vamos torcer que, neste quarto mandato, o senhor Luiz Inácio Lula da Silva possa rever tal situação. Na opinião do promotor, a principal condição para enquadrar um Estado como narcoestado é quando a economia e os poderes de Estado têm uma infiltração tão grande que o Estado não consegue sobreviver mais sem os recursos do crime organizado.

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