A vez dos pequenos
Por Equipe de Redação do Contexto Político · 16 de outubro de 2026

A Unidade na Luta, uma ala do Partido dos Trabalhadores, foi a grande responsável pelo processo de "institucionalização" do PT, tornando, assim, a viabilidade eleitoral do então candidato à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva. José Dirceu foi o grande responsável por esse processo de aplainamento político das tendências mais radicais ou refratárias da legenda. Antes o partido já havia expulso dos seus quadros tendências mais radicais, a exemplo da Convergência Socialista, que depois se tornaria no PSTU. Assim como ocorreu no Leste Europeu com os antigos partidos comunistas forjadas na experiência do socialismo real, a tendência inexorável - ou "natural" - parece mesmo ser entrar no jogo da democracia representativa burguesa, a grande bacia semântica do sistema político.
Já há algum tempo que os pequenos grêmios políticos passaram a se integrar no processo eleitoral nacional, obtendo, cada vez mais, coeficientes eleitorais expressivos. Um desses partidos é o Unidade Popular, UP, que possui candidatos em diversos estados do país, e uma candidata à Presidência da República, Samara Martins. A Rede Globo, através do Jornal Nacional, tem feito uma coisa positiva com esses candidatos, facultando-os a uma sabatina durante a exibição do programa. Além disso, escala jornalistas para acompanhar suas movimentação diárias pelo país, num tratamento não diríamos que "equânime", mas positivo. Nos grandes debates não dá para levar todo mundo, estabelecendo-se o critério da representação no Congresso Nacional. Samara Martins obteve 122.000 mil votos. Somados, os pequenos obtiveram 260.000 votos, um escore nada mal para quem sonha com a bacia semântica da democracia representativa.
Na entrevista concedida por Rui Costa, do PCO, por exemplo, que obteve 15 mil votos, é possível se saber suas proposta, como o aumento do salário mínimo para R$ 8.000,0o, conforme estima o DIEESE, para o sustento digno de uma família de quatro pessoas. A economia teria que se arranjar para o resolver o problema, uma vez que, se eleito, este seria o salário pago aos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros. Samara Martins foca bastante na questão racial, o que não deixa de ser algo importante num país como nosso, marcado historicamente pela prática do racismo estrutural na sociedade brasileira. Que os pequenos sejam bem-vindos ao debate e à bacia semântica, para usarmos um termo do Imaginário Social.


