A carta aberta dos estudantes da FDR à governadora Raquel Lyra
Por Equipe de Redação do Contexto Político · 13 de outubro de 2026

Entre as décadas de 30\40, em plena vigência da ditadura do Estado Novo, Gilberto Freyre era considerado um homem de esquerda, pois mantinha uma trincheira permanente de enfrentamento do interventor local, o ex-governador Agamenon Magalhães, considerado um dos homens fortes da ditadura de Getúlio Vargas. Já discutimos este assunto em diversos momentos, sempre procurando esclarecer que é preciso fazer as modulações necessárias em relação ao assunto, dada a sua complexidade e contexto específico. A começar pelo campo de atuação ou identificação política de ambos, pois, enquanto Gilberto era ligado à aristocracia açucareira da Zona da Mata, Agamenon representava os grupos pecuaristas e algodoeiros do Sertão. Ademais, Gilberto se dava muito bem com Getúlio Vargas, ocupou cargos públicos durante a vigência da ditadura e teve um pedido do próprio Getúlio para interceder por ele durante o momento em que esteve preso. Gilberto Freyre foi preso por dois momentos durante aqueles anos sombrios. Gilberto tinha duas trincheiras de resistência: A Faculdade de Direito do Recife e o jornal Diário de Pernambuco. Quase foi assassinado, durante um atentado ocorrido na Pracinha do Diário, por ocasião de um protesto contra a ditadura. Escrevemos um romance de ideias onde retomamos todos esses fatos históricos em linguagem literária, com remissão há alguns episódios curiosos, como um embate entre Gilberto e Agamenon acerca de um projeto de intervenção estatal na cidade do Recife, a Liga Contra os Mocambos, de cunho eminentemente higienista, que contou com a oposição veemente do antropólogo e outros companheiros de luta, a exemplo de Aníbal Fernandes, Mário Sette e Manuel Bandeira. Curiosamente aponta-se esse artigo como o pivô das indisposições entre Gilberto Freyre e Agamenon Magalhães. Longe disso. Em 1945 Gilberto foi eleito deputado constituinte com o apoio ostensivo dos estudantes da Faculdade de Direito do Recife, que promoveram uma passeata que saiu da FDR até o bairro de Apipucos, onde já residia o antropólogo. Este prólogo, na realidade, é para enaltecer a iniciativa dos estudantes da Faculdade de Direito do Recife, que escreveram uma carta dirigida à governadora Raquel Lyra cobrando dela compromissos democráticos neste momento difícil que o país está passando. Raquel foi estudante de direito, da turma de 2000. É profundamente importante que os estudantes e professores da instituição continuem mobilizados em defesa da democracia, uma tradição histórica daquela instituição centenária.


